segunda-feira, 29 de março de 2010

BRASIL COMEÇA A DISCUTIR UM "SUS" PARA A EDUCAÇÃO NESTA SEGUNDA-FEIRA

Começam, nesta segunda-feira (29), os debates para a criação de um "SUS" da educação. Eles fazem parte da Conae (Conferência Nacional de Educação), que ocorre em Brasília, até o dia 1º. Devem participar 2.500 delegados eleitos em municípios e Estados e mais 500 observadores. A Conae vai elaborar o PNE (Plano Nacional de Educação) para a próxima década que será apresentado pelo MEC (MInistério da Educação) ao Congresso Nacional.
A ideia, defendem alguns especialistas, é criar um sistema que integre os governos municipal, estadual e federal -- assim como o SUS (Sistema Único de Saúde). Wagner Santana, oficial de projetos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil é um dos engrossam o coro por uma rede que integre os três níveis de governo.
Coautor do livro “Educação e Federalismo no Brasil: Combater as Desigualdades, Garantir a Diversidade”, Santana concedeu uma entrevista por e-mail sobre o sistema nacional de educação. Ele é enfático sobre o que o país precisa no campo das políticas para o ensino: "É fundamental o estabelecimento de metas realistas e ao mesmo tempo desafiadoras, que sejam monitoradas e avaliadas constantemente e com amplo controle social". Confira parte da entrevista:
UOL Educação - Um Sistema Nacional de Educação deveria ser parecido com o SUS? Em que medida?
Santana - A proposta de Sistema Nacional de Educação atualmente em discussão trata especificamente da construção de diretrizes educacionais comuns a serem implementadas em todo território nacional, respeitando-se as diversidades regionais e tendo como perspectiva a superação das desigualdades regionais. A proposta em discussão atribui também ao Sistema Nacional de Educação um papel de articulador, normatizador e coordenador e, sempre que necessário, financiador dos sistemas de ensino.
Ou seja, não se trata de implementar um “SUS da Educação”, mas de construir estratégias para que a educação brasileira tenha referenciais nacionais de qualidade e que a oferta educativa pelos sistemas de ensino estadual e municipal de todo o país tenha maior identidade. O desenho institucional desse sistema é uma das tarefas a ser enfrentada no processo de elaboração do novo Plano Nacional de Educação.
UOL Educação - O SUS é um modelo elogiado por especialistas, mas, no dia a dia, a população enfrenta problemas que vão da falta de capacidade de atendimento até o mau atendimento. Como um sistema nacional poderia superar estes tipos de dificuldades vistos na saúde?
Santana - A oferta de serviços de saúde e de educação, que são direitos previstos no nosso marco legal, são de natureza muito distinta. Não há nenhum hospital, por exemplo, que tenha que atender o mesmo número de pessoas todos os dias ao longo de quatro, seis ou oito horas. Ao mesmo tempo, o usuário de saúde pode buscar qualquer unidade de atendimento do SUS, enquanto na educação o atendimento quase sempre é feito por uma única unidade.
No caso da educação, a constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação são claros quanto às responsabilidades da União, Estados, Distrito Federal e municípios. Cabe, portanto, estabelecer critérios de gestão da oferta pelos entes federados de forma articulada, colaborativa e normatizada por princípios comuns e tendo como perspectiva a garantia de um direito humano fundamental.
UOL Educação - As desigualdades internas no país são gigantescas. Como um sistema geral poderia dar conta delas? Elas podem ser superadas com financiamento proporcional às necessidades?
Santana - Certamente uma das questões a serem resolvidas é um melhor equilíbrio entre as responsabilidades dos entes federativos quanto à oferta educativa e os recursos disponíveis por cada um deles. Uma reforma fiscal seria a melhor estratégia nesse sentido, mas de difícil viabilidade política no curto prazo.
Assim, estratégias como o Fundef [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério] e posteriormente o Fundeb [O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] têm cumprido um papel redutor das desigualdades, garantindo patamares mínimos de oferta. Entretanto, ainda persistem desigualdades na disponibilidade de recursos que precisam ser enfrentadas por essas políticas. Outro ponto importante é a necessidade de aumentar o montante global dos recursos a serem investidos em educação.
A proposta de um sistema nacional de educação ou outro modelo de gestão da oferta educativa deve buscar ainda reduzir desigualdades quanto a padrões de atendimento (infra-estrutura de escolas, remuneração e condições de trabalho docente, etc.) e buscar alguma unidade no que diz respeito aos conteúdos ensinados nas escolas, respeitando-se, evidentemente, as diversidades regionais e locais.
UOL Educação - Como fazer com que uma política pública dure além do tempo dos mandatos do executivo no Brasil? Estamos muito longe disso?
Santana - É fundamental que o novo Plano Nacional de Educação seja construído a partir de acordos entre os entes federativos em relação aos principais desafios da educação nacional e as estratégias para enfrentá-los. Além disso, é fundamental o estabelecimento de metas realistas e ao mesmo tempo desafiadoras, que sejam monitoradas e avaliadas constantemente e com amplo controle social. Nesse sentido, é fundamental que o novo Plano defina também instâncias de gestão envolvendo os três entes federados e com participação social. Finalmente, é importante a vigilância junto aos poderes públicos nos três níveis para que o Plano Nacional de Educação, além dos planos estaduais e municipais, sejam a principal referência para a construção de políticas de governo. Essa tarefa está longe de ser simples, mas é condição fundamental para termos políticas duradouras de Estado.
UOL Educação – Quais são os critérios que devemos medir em uma educação de qualidade, além do desempenho e do fluxo de estudantes?
Santana - Quando falamos em qualidade nos referimos a formação inicial e continuada de docentes, a condições de trabalho adequadas e a políticas de valorização dos profissionais de educação, a conteúdos pertinentes e relevantes, a escolas inclusivas e que respeitem a diversidade dos alunos (de gênero, religião, orientações sexuais etc.) entre outros aspectos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Escolas estaduais de Caicó serão vistoriadas pelo Ministério Público por causa do descaso de Wilma

A promotora Fladja Raiane Soares de Souza fará uma apuração, através inquérito nº 001/2010, do descaso físico sofrido por escolas estaduais de Caicó, durante a gestão de Wilma de Faria (PSB).
O Ministério Público verificará in loco a situação de precariedade vivida pelo Centro Educacional José Augusto (CEJA) – na foto, Antônio Aladim, Senador Guerra, Edmundo Kargere e Joaquim Apolinar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Missa de 7° dia de Ruy Pereira será nesta quinta-feira

O prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado, irá acompanhar a celebração da missa de sétimo dia de morte do irmão Ruy Pereira. A cerimônia religiosa acontece nesta quinta-feira (18), às 19h, na Catedral Metropolitana de Natal.
O secretário estadual de Educação, Ruy Pereira, foi vítima de um acidente automobilístico ocorrido no último dia 11, quando seguia de Natal para Recife. Por decisão da mulher, Ana Brito, o corpo do médico foi sepultado na capital pernambucana, mas para que os amigos que não tiveram oportunidade de ir ao enterro possam prestar a última homenagem, a missa de sétimo será em Natal.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Morre o secretário de Educação do RN

O secretário estadual de Educação, Ruy Pereira, morreu na noite de hoje em um acidente na estrada, nas proximidades do município de Goiana, em Pernambuco, quando seguia para se encontrar com a família naquele estado, onde ia passar o Carnaval. O secretário estava em seu carro, com o motorista, que nada sofreu. O corpo está no Itep de Recife.Filiado ao PT, Ruy Pereira também foi secretário estadual de Saúde, na primeira administração da governadora Wilma de Faria (PSB), e era um dos auxiliares do governo tido como certo para permanecer no futuro governo do vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB), a partir de abril. Apesar de ser do PT, há anos o secretário era considerado um político muito ligado à governadora.Ruy Pereira era secretário de Educação desde julho de 2008. Médico sanitarista, foi secretário estadual de saúde entre 2005 e 2006 e prefeito do município de Serra Negra do Norte, no Seridó, entre 1997 e 2001. ele também exerceu cargos no Ministério da Saúde. Ruy Pereira era irmão do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado, e do ex-vereador Fernando Lucena. Ruy Pereira viajava à Recife semanalmente, onde reside sua mulher.
Ruy Pereira é também ex-aluno do Centro educacional José Augusto(CEJA) em Caicó(RN).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Prêmio Jovem Cientista recebe inscrições até junho

Estão abertas até 30 de junho as inscrições para a 24ª edição do Prêmio Jovem Cientista. Este ano o tema será "Energia e meio ambiente - soluções para o meio ambiente".O prêmio - que foi criado em 1981 - é uma parceria entre o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o Grupo Gerdau, a Fundação Roberto Marinho e a Eletrobrás. O prêmio pretende incentivar a pesquisa brasileira com temas que busquem soluções para problemas encontrados no cotidiano.São premiados, anualmente, os três primeiros colocados nas categorias Graduado, Estudante do Ensino Superior e Estudante do Ensino Médio, e seus respectivos orientadores. Na categoria "Mérito Institucional" são distinguidas uma instituição de ensino superior e outra de ensino médio.Os três primeiros colocados receberão R$ 20 mil, R$ 15 mil e R$ 10 mil, respectivamente. Os estudantes do ensino superior receberão R$ 10 mil, R$ 8,5 mil e R$ 7 mil, enquanto os vencedores do ensino médio ganham computadores e impressora.Além disso, os três primeiros das categorias Graduado, Estudante do Ensino Superior e Estudante do Ensino Médio poderão receber bolsas de estudo do CNPq, desde que atendam aos critérios normativos. E o primeiro colocado dessas categorias participará da 62ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em 2010, com o objetivo de expor suas pesquisas.Assim como na edição anterior, também serão concedidos R$ 30 mil para cada instituição vencedora na categoria "Mérito Institucional" e o pesquisador homenageado com "Menção Honrosa" receberá R$ 15 mil e uma placa alusiva.
Mais informações: www.jovemcientista.cnpq.br
Fonte: Agência Fapesp

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Alunos de Física do IFRN lecionarão em escolas caicoenses

Alunos do curso de graduação em Física do campus Caicó brevemente colocarão em prática, como docentes, o que estão aprendendo em sala de aula.
Eles atuarão como bolsistas em três escolas da rede pública estadual de Caicó, sob a orientação de um professor coordenador e de um supervisor.
Essa interação se tornou possível através da implementação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), apresentado na última sexta-feira pela professora do campus Caicó Cláudia Lima, coordenadora local do programa, a diretores e pedagogos das escolas beneficiadas.
Através do PIBID, o professor de Física da escola atendida será beneficiado com uma bolsa de R$ 600,00, enquanto o aluno bolsista receberá mensalmente R$ 350,00.
A previsão é de que haja doze alunos bolsistas do campus Caicó, número ainda não confirmado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do ministério da Educação, responsável pelo programa.
Fonte: blog do Robson Pires.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MEC fixa data para criança entrar no 1º ano

O Ministério da Educação decidiu enviar projeto de lei ao Congresso que prevê que só poderão entrar no ensino fundamental (1º ao 9º ano), público ou privado, crianças que completarem seis anos até 31 de março. Já o Senado aprovou ontem texto contrário, que permite o ingresso aos cinco anos.
O MEC defendia que o "corte" deveria ser o "início do ano letivo", o que poderia variar entre as redes --de janeiro a março. Por isso, resolveu agora fixar uma data única. A mudança foi decidida na segunda-feira (7), após reunião com gestores estaduais e municipais. O projeto deve ser enviado ao Legislativo ainda neste ano.
O governo Lula tenta padronizar a entrada das crianças no fundamental, uma vez que Estados e municípios têm adotado lógicas diferentes, conforme a Folha mostrou mês passado.
Com critérios divergentes, há dificuldades quando o estudante precisa mudar de rede. Além disso, escolas particulares disputam para ver quem aceita crianças mais novas. O Conselho Nacional de Educação recomenda o "corte" no início do ano letivo, o que é seguido por Estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Quem completa seis anos após esse limite deverá estar na pré-escola e entrar no fundamental apenas no ano seguinte. Mas, como a recomendação não tem força de lei, Estados têm aceitado crianças com cinco anos na educação fundamental, desde que completem seis durante o ano letivo.
O Conselho Estadual de São Paulo permite que o aluno complete seis anos até o fim de junho; Mato Grosso do Sul e Paraná aceitam até dezembro.
O MEC pensava desde o meio do ano em padronizar uma data. Chegou a desistir da ideia, mas retomou depois que começaram a aparecer os critérios divergentes entre as redes.
Se aprovada pelo Congresso, a nova lógica definida pelo governo valerá para alunos que ainda vão entrar na pré-escola. Não está definido o que ocorrerá com as que já cursam essa etapa e estão prestes a entrar na educação fundamental.
Divergências
Por trás da confusão, está a discussão de qual idade a criança deve ser alfabetizada. O MEC entende que uma criança de cinco anos é muito nova para entrar no ensino fundamental e começar o processo.
O presidente da federação das escolas privadas, José Augusto de Mattos Lourenço, discorda da lógica. O próprio MEC, diz Lourenço, recomenda que o 1º ano do fundamental deva ser parecido com o último ano da antiga pré-escola.
A partir do ano que vem, o fundamental passa de oito para nove anos de duração, incorporando um ano da pré-escola.
"O que MEC anunciou agora não muda nada. Defendemos o 'corte' em 31 de dezembro.
Criança de cinco anos pode começar a ser alfabetizada, como já ocorre na pré-escola das particulares", afirmou Mattos.
Projeto aprovado ontem pela Comissão de Educação do Senado tem caráter semelhante --libera a entrada da criança aos cinco anos. "Podemos ter um currículo adequado ao desenvolvimento da criança", disse o senador Flávio Arns (PSDB-PR), autor da proposta.
Se não houver recurso de nenhum senador, o projeto segue para a Câmara; se aprovado, vai para análise de Lula.
Além do fundamental de nove anos, o MEC planeja normatizar a pré-escola (quatro e cinco anos), que será obrigatória a partir de 2016, conforme regra que entrou em vigor em novembro. A ideia é proibir repetência e avaliação com nota nessa etapa.
Fonte: Folha de São Paulo